Uma oração a mim Mesmo...

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Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais.
Falar menos. Chorar menos.

Ver nos olhos de quem me vê
a admiração que eles me têm
e não a inveja que,
prepotentemente, penso que têm
Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática,
as palavras que se fazem gestos
e os gestos que se fazem palavras.
Permitir sempre escutar aquilo
que eu não tenho me permitido escutar.
Saber realizar os sonhos que nascem em mim e por mim
e comigo morrem por eu não os saber sonhos
Então, que eu possa viver
os sonhos possíveis e os impossíveis...
Aqueles que morrem e ressuscitam

a cada novo fruto, a cada nova flor,
a cada novo calor, a cada nova geada,
a cada novo dia



Que eu possa sonhar o ar, sonhar o mar...
Sonhar o amar...
Sonhar o amalgamar!

Que eu me permita o silêncio das formas,
dos movimentos, do impossível,
da imensidão de toda profundeza
Que eu possa substituir minhas palavras
pelo toque, pelo sentir, pelo compreender,
pelo segredo das coisas mais raras,
pela oração mental, aquela que a alma cria!

E que só ela, alma, ouve!
E só ela, alma, responde
Que eu saiba dimensionar o calor!
Experimentar a forma!
Vislumbrar as curvas!
Desenhar as retas!

E aprender o sabor da exuberância
que se mostra nas pequenas manifestações da vida
Que eu saiba reproduzir na alma
a imagem que entra pelos meus olhos...


Fazendo-me parte suprema da natureza,
criando-me e recriando-me a cada instante
Que eu possa chorar menos de tristeza
e mais de contentamentos.

Que meu choro não seja em vão!
Que em vão não sejam minhas dúvidas
Que eu saiba perder meus caminhos
mas saiba recuperar meus destinos com dignidade.


Que eu não tenha medo de nada,
principalmente de mim mesmo:
Que eu não tenha medo de meus medos
Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis,
E desperte com o coração cheio de esperanças.
Que eu faça de mim uma pessoa serena
dentro de minha própria turbulência,
sábia dentro de meus limites pequenos e inexatos,
humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas
Que eu me mostre
o quanto são pequenas minhas grandezas
e o quanto é valiosa minha pequenez.

Que eu me permita ser mãe, ser pai,
e, se for preciso, ser órfão
Permita-me eu ensinar o pouco que sei
e aprender o muito que não sei,
traduzir o que os mestres ensinaram...

E compreender a alegria
com que os simples
traduzem suas experiências
Respeitar incondicionalmente o ser; o ser por si só,
por mais nada que possa ter além de sua essência...


Auxiliar a solidão de quem chegou...
Render-me ao motivo de quem partiu...
E aceitar a saudade de quem ficou...
Que eu possa amar e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado,
Fazer gentilezas quando recebo carinhos.
Fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas.


Que eu jamais fique só,
Mesmo quando eu me queira só.

Um texto de Cristiane Moraes
Locução Rogerio Xoroque

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